Desafio 2 _ Um acontecimento inaudito



 Os alunos foram desafiados a usar a sua criatividade para  relatar um acontecimento inaudito, isto é, tão extraordinário e surpreendente que nunca ninguém ouviu dizer.
O texto, de caráter narrativo (tempo, espaço, personagens, ação), foi criado em trabalho de grupo.





 



Duas histórias, um poema...

 Duas histórias, um poema...

Escreve um poema em que cruzes duas histórias (de dois objetos, de dois animais, de duas pessoas, de dois lugares, de dois escritores, de dois amigos …).

O lavradio

A ferro e fogo lavra,
Lavra pela força do lavrado.

Em sequeiro tempo vai dobrado,
Buscar o vertido da leiva tirado,
À força de uma cabeça só.

Um caminho a ferros tirado,
Por gentes desacatadas
Na “colheita” do semeado.

Quanto o retinir da picareta,                                                                Pietro Barucci
Quanto o tilintar do gado.
Ouvem-se os tambores toca a corneta,
Ai que belo achado!                                                                                                                                                                

                                                                    Soa o estridente apito,
                                                                    Por vezes berra o gado.
                                                                    Sobe o povo “erudito”,
                                                                    Vai-se um fardo pesado.

                                                                    Trabalho de bravura e calor,
                                                                    Quão sofrido é o braseiro…
                                                                    Pobre o humilde lavrador!
                                                                    Pobre o singelo fogueiro!


                                                                                                        Joaquim Rodrigo Gomes


                                

                      Uma criança, um velho

 

 A criança
não gosta de ser chamada criança
E o velho
não gosta de ser chamado velho.
 

A criança

Olha o velho com desconfiança

E o velho

À criança quer dar conselho.



A criança

Brinca com confiança

E ao velho

Dói-lhe o joelho



Mariana Lacerda

 


Desafio “A minha janela”


 Porquê escrever? Eis a pergunta!


Porque a escrita nos permite viajar até qualquer lugar, por mais remoto que seja;
Porque nos dá a possibilidade de experimentar diferentes sentimentos;
Porque torna possível a partilha de conhecimento; 
Porque possibilita a comunicação entre o passado, o presente e o futuro!

Escrever é um superpoder que propicia discorrer sobre milhares de temas, conceber inúmeras histórias, vestir diferentes personagens e até, eventualmente, mudar o mundo!

Cabe a cada um de nós dar asas às palavras que coloca no papel e fazê-las voar tão alto que
transcendam os céus e se perpetuem pela eternidade!


Vários alunos do 3.º ciclo responderam ao desafio "A minha janela", eis o resultado do seu voejar.


Da minha janela vejo o meu quintal, onde se encontram uns bancos molhados e a piscina suja. 
Vejo as casas e os quintais dos meus vizinhos e, à sua frente, consigo ver um campo de ténis, onde normalmente as crianças brincam. Ali, jogam ténis, futebol, andam de bicicleta ou de skate. 
Mais atrás há um grande campo onde estão plantadas muitas árvores de fruto. Todos todos os dias agricultores trabalham nessas terras. Ao seu lado vejo animais, um lindo cavalo branco, galinhas, dois
cães e um rebanho de ovelhas. 
Ao fundo estão várias casas e prédios seguidos por gigantes montanhas que tapam tudo o que está atrás delas deles. É para lá que vai o sol quando se põe e, nesse momento, vejo uma misturas de cores fantásticas no céu, enquanto o sol vai desaparecendo para detrás das montanhas lentamente. 
Esta é a minha vista preferida da minha janela, principalmente quando as nuvens ficam amarelas, rosas e roxas e tudo fica dourado e o sol banha a pele levemente, levando-me a um incrível e sossegado estado de relaxamento.

Mariana Lacerda




A vista mais inspiradora de minha casa é a da sala. A partir dela consigo ver uma grande parte da vila. Essa perspetiva inspira-me bastante, por vezes é lá que tenho ideias para aquilo que vou fazer. Muitas vezes, quando não tenho nada para realizar, simplesmente, vou para lá, e fico a ouvir música. É ela que, por vezes, me acalma e me faz sentir melhor. Adoro essa vista!

Henrique Ferreira


Da minha janela de eleição, consigo ver o caminho de pedra e o relvado, que me conduz a um sítio bonito e puro: o quintal. 
No quintal, vemos tudo viver num conjunto de natureza e humanidade. Nas árvores, os pássaros nidificam e cantam alegremente, esvoaçando quando ouvem os garrafões a fazer barulho ao vento e que lá estão para que não comam as couves. 
Os muros têm cedros em cima que contêm vários tons de verde e amarelo, num deles, há até uma roseira que nos dá brilhantes rosas vermelhas.
Ao fundo conseguimos ver um pinhal, de onde saem pássaros coloridos que abanam as árvores e voam pelo céu azul, parecendo cruzar o sol.


Filipa Daniela Santos Dias





De Flor em Flor

Desafio-te a viajar...

Imagina que és um borboleta...

Dá asas à tua imaginação e descreve como seria essa tua viagem.


Resultados do desafio:


        Sou uma borboleta. Voo por cima do verde dos prados e jardins. Pouso numa flor da cor das minhas asas e cheiro o seu suave perfume. As pétalas macias são grandes e escorregadias. Bebo as frescas gotas de orvalho da manhã e espalho os grãos de pólen que ficam agarrados às minhas pequenas patas.

        Voo, depois, para uma flor amarela, de pétalas pequenas e finas. As folhas, muito abertas, são como um parque de escorregas divertido. 

        Rapidamente avanço para uma flor roxa e com detalhes pretos, de folhas largas e arredondadas. Confortavelmente lá fico por uns minutos, antes de voltar a voar pelo céu azul.


Filipa Daniela Santos


O Girassol


         Eu sou uma borboleta azul clarinha, adoro voar e passo os meus dias a viajar de flor em flor. Vivo num prado verde com muitas flores de todos os tamanhos, tipos e feitios. Já estive em todo o tipo de flores, rosas, violetas, tulipas, cravos, margaridas, etc. As minhas preferidas são os girassóis. No cimo de uma montanha há um grande girassol que cresce sozinho. Parece tão solitário, todos os girassóis crescem rodeados de centenas de outros girassóis, mas aquele não. Cresce no alto de uma montanha sozinho, nem deve ter amigos… 

         Esta manhã decidi voar até ao girassol, então fui de flor em flor pois uma simples e pequena borboleta como eu não conseguia voar tão longe de uma só vez. Foi uma grande aventura! Passei por tantas flores tão belas! 

         Depois de algum tempo cheguei ao girassol, ao pobre, coitado e abandonado girassol. Nunca conheci um girassol tão calmo, todos adoram falar e ser o centro das atenções, (talvez seja por isso que se chamam girassóis) mas aquele não.

         Aquele era diferente, era simpático, bom ouvinte e atencioso. Falamos durante horas e eu prometi voltar todos os dias, e assim foi.

         Agora aquele girassol é o meu melhor amigo, a minha flor favorita. E mesmo que a viagem para lá chegar seja difícil e esforçada vale a pena porque aquele girassol é diferente, mesmo que todos achem que isso o faz pior e estranho eu acho que o faz especial e único!


Filipa Daniela Santos


Desafio: Texto a crescer

 


O desafio lançado consistia no seguinte:

Texto a cresCer …    


Começa por escrever uma frase com 3 palavras. O que escreveres a seguir deverá ter 6 palavras. A terceira frase (ou frases) deverá ser composta por 12 palavras. A quarta será escrita com 24 palavras. A quinta terá 48 palavras.

 Quantas palavras terá a tua última frase? Consegues adivinhar?

 É óbvio! 96 palavras! E assim, constróis uma história!

 Exemplo:

(3 palavras) Era lua cheia. (+6 palavras) Eu queria chegar a casa depressa (+12 palavras) para me esconder. No caminho de regresso, coisas muito estranhas tinham acontecido. (+24 palavras) Ruídos sinistros e sombras fantasmagóricas pareciam seguir-me. Cheguei a casa, coloquei a chave na fechadura e, nesse mesmo instante, ouvi um grito aterrador... funesto! (+48 palavras)…


Resultados:

 

(3 palavras) O Quinto Império

(6 palavras) Um Império imaterial como este é,
(12 palavras) Só há Deus e a santa fé.

Esperado é o Messias
Pelo (24 palavras) povo, e consta nas profecias.

Ocidental rosto lusitano,
Louco em flor d’ idade,
Guerra aqui vou sem engano
Ao meu povo devo lealdade.

Luto (48 palavras) de minha vontade e
Conquisto até perecer,
Com alegria vou pisando,
A terra que me verá nascer.

Quatro grandes te sucederam,
Povos de outro jogral,
Terreno ter e expansão,
Não é facto de tua moral.


Tudo em ti é universal
Como que Império distinto.
És Reino de Portugal!

 

Joaquim Rodrigo Gomes Leal 12ºVB



Valor das Palavras

As palavras que são importantes para mim Existem muitas palavras pela nossa língua fora mas, todos sabemos que existem umas que são mais especiais, e que têm um significado mais profundo e belo para nós. Eu tenho uma lista dessas palavras. 

Criatividade. Faz parte da vida. Ajuda a atravessar os piores momentos, e forma muitos melhores.

Curiosidade. Sem esta,não aprenderíamos muitas das coisas que ficamos a conhecer ao longo da vida. Nem tudo se ensina na escola.

Amor-próprio. Saber amar os outros é importante mas, acima de tudo, é preciso saber amar quem vemos no espelho e o seu interior. 

Família e amigos. São os que estão lá quando necessitamos de um ombro amigo oude alguém com quem nos divertir. 

Feminismo. Como feminista, é meu dever falar. As feministas já alcançaram tanto, mas nunca conseguiram chegar onde querem, a equidade.

Diversidade. A única coisa que é preciso é respeito. Para que importa a cor de pele ou a sexualidade? 

Paz. Porquê guerras? Deram-nos uma boca para quê? Para lançar balas não foi certamente; mas para lançar palavras que têm um poder maior.

Ativismo. É importante falar sobre o planeta. A poluição vai destruir a nossa casa se não cuidarmos desta. 

Solidariedade. Ser amigo, ser solidário, ajudar. Só fazem de nós mesmos uma melhor pessoa, que sabe compreender os outros e a si mesmo.

Viajar, escrever e ler. Coisas que, pelo menos para mim, são relaxantes e importantes.

Sentimentos. Nem sempre fáceis de aguentar, mas essenciais para uma vida completa. 
 No fundo, tudo isto é sobre apreciar a vida, ou lutar por uma mais justa. 

 Autora: Filipa Daniela Santos, 7ºVD

Convite

 





Voo das palavras: Wordart das turmas do AEV

 Para testar o primeiro voo deste ano, lançamos o desafio às turmas para "brincarem com as palavras" e construírem a sua nuvem de palavras. Deixamos aqui algumas delas:


7ºVD


  10º VB
                    
12º VC


11ºVA


10ºVC


10ºVA








Livros digitais dos alunos das turmas 1SA e 1CVA

 

Para encerrar este ano letivo, o Projeto Palavras com Asas deixa aqui dois trabalhos produzidos pelas turmas 1SA e 1CVA do nosso agrupamento. 


São dois livros digitais, duas compilações de histórias de meninas e meninos do 1º ano, desafiados e apoiados pelas suas professoras, Magda Santos e Maria João Pinto. Um trabalho de excelência. 


                                                    Livro de histórias da turma 1SA


                                                  Livro de histórias da Turma 1CVA


Parabéns aos que se deixaram levar nas asas das palavras!

Texto em cadeia...

    Mais um trabalho realizado em colaboração com os alunos do secundário que integram este projeto - Gabriela Barros (10VB), José Pedro Couto (10VB), Ana Margarida Silva (10VC), e Joaquim Leal (11ºVB) -, a quem agradecemos a participação.

            O texto permanece em aberto. Poderão dar-lhe continuidade, para além de um título. Aceitem o desafio!

 

         Não sei o que pensas sobre o assunto. Há muito que tenho vindo a pensar em tudo isto... e não tem sido mesmo nada fácil. Só nos apercebemos das dificuldades das situações quando nos encontramos nelas. 

Sinto-me triste, magoada e desiludida, por não te poder contar nada do que ando a sentir. Queria dizer-te tudo e explicar-te que o que eu fiz foi para o nosso próprio bem.

Mesmo após todas as dificuldades, juntos ultrapassamos todos os obstáculos e construímos pontes para o nosso mundo, mundo este onde tu querias criar a nossa família, vendo naqueles enormes prédios reluzentes e naqueles longos rios o reflexo  da nossa felicidade.

      Por vezes, sinto que tudo foi em vão e que não me amavas verdadeiramente. Questiono-me e tenho uma ansiedade descomunal, travo todos os dias batalhas interiores contra mim mesma e tento controlar pensamentos à base de “porquê?” ou “será que…”. Isso mói-me, culpo-me todos os dias por nós.

Em determinadas situações, questiono-me se fiz algo menos certo. Duvido se deveria ter escolhido um caminho diferente do teu… Seria esse o caminho do nosso futuro? Estarias tu a querer levar-me para o que consideravas ser o nosso futuro habitat?…

Contigo tudo era diferente, mais fácil, mais alegre, mais leve…

 


Um parágrafo de cada vez...

Este é o resultado do trabalho coletivo do alunos do 2º e 3º ciclos do projeto. A ideia foi que cada um contribuísse para a construção de um texto, a partir de um início já registado, respeitando a lógica, sendo coerente, mas também imaginativo.

            O texto permanece em aberto. Poderão dar-lhe continuidade.

Agradecemos a participação dos alunos:

 

- João Nunes, 5ºVA

- Filipa Dias, 6ºVA

- Beatriz Barros, 8ºVB

- Henrique Ferreira, 8ºVB

- Francisca Torres, 9ºVB

- Ana Rita Rocha, 9ºVC

  

 

TEXTO EM CADEIA

 

            Era um dia como qualquer outro, ameno e calmo. A Primavera já se fazia anunciar, no canto dos pássaros, no despontar das folhas tenras, nas manhãs ainda frescas, mas bastante mais agradáveis… Enfim, a natureza no seu expectável ciclo renovador. O que aconteceu nesse dia é que foi totalmente inesperado…

            Todas as plantas começaram a falar, a cantar, algumas a correr, outras a andar, numa sinfonia não tão agradável. Tudo isto, de um minuto para o outro, como que enfeitiçados…

            As pessoas estavam espantadas e desconfiadas. O que havia de ser aquilo? Apesar de tanta coisa espantosa, já descoberta, nada deste género apareceu. Nunca!

          Biólogos chamados, polícia também. O que antes era estranho agora era motivo de caos! Toda a gente fechada em casa. Os religiosos diziam que era o diabo, os ateus diziam que era uma revolta da Natureza, e os biólogos não conseguiam explicar. O que é isto!?!?!

           Ninguém sabia. Sabiam sim que não era algo normal e comum. Plantas a falar, cantar ou até mesmo a correr? De facto, era algo que nos causava estranheza. Todos se juntaram e tentaram perceber o acontecido…

             Parecia algo tirado dos livros de fantasia: as pessoas espantadas, mas curiosas, começaram a falar com as plantas, a tentar perceber qual era a razão daquilo estar a acontecer, tão entretidas a falar umas com as outras que nem se aperceberam que os humanos queriam falar com elas para ajudar e esclarecer este acontecimento tão marcante. Até que... havia uma flor tão bela e tão sozinha num canto, afastada de todo mundo e plantas, se apercebeu que  uma menina tentava conversar com ela.

            Por mais curiosa que estivesse, a menina tinha algum receio de falar com a flor. Poderia vir a ter respostas de todo o tipo, ou até mesmo não ter resposta alguma:

- Olá, senhora flor- disse a medo- poderia responder-me a algumas questões? Claro, se não se importar...

- Sim, minha querida, pergunta-me o que quiseres!- respondeu a flor.

- Qual é o nome desta linda flor? - perguntou a menina.

- Eu sou a Mãe Natureza. Fui eu que enfeiticei estas plantas todas, para chamar a atenção dos humanos, sobre o aumento da poluição no planeta Terra.

- A sério? Ainda não ouvi falar disso!

- Pois, é que até aqui as plantas não tinham voz, agora que a têm, estão demasiado animadas a falar umas com as outras e a passear, em vez de passarem a mensagem aos humanos… Podes ajudar-me?

         (...) 



Leituras com asas

 Para celebrarmos o Dia Mundial da Língua Portuguesa que se comemora hoje, dia 5 de maio, "Leituras com asas" na nossa língua materna. É sempre bom fazer voar a nossa voz. 



O Segredo da SerraJoaquim Leal, 11ºVB








Leituras partilhadas

No âmbito da Semana da Leitura, relativamente à atividade “Leituras Partilhadas”, partilhamos também aqui alguns dos trabalhos realizados por alunos de diferentes anos. Estes trabalhos demonstram o interesse e o gosto pela leitura e pela partilha, bem como revelam que, apesar de impedidos de o fazerem presencialmente, tudo é possível, quando existe vontade.
Parabéns a todos!!



                                                       Rafael e o Segredo de Leonor, Filipa Dias, 6ºVA












A matemática do amor numa história brevemente contada

 E este são mais alguns dos originais trabalhos dos nossos alunos de 2º e 3º ciclos que responderam ao desafio "Ai... o amor!







Amor incalculável…

 

Estava sozinho, naquela noite de múltiplas estrelas. Pares passeavam pelas ruas, dançavam ao som da música. Mas para ele aquela alegria não existia. Tinha uma vida dura, horas no trabalho que pareciam que eram multiplicadas e nunca mais acabavam, um ordenado mínimo…

Ele era o múltiplo comum a tudo o que era tristeza e trabalho. O seu coração precisava de uma outra metade para estar completo.

Uma rapariga estava sentada no café, também sozinha. O seu coração também precisava de uma outra metade. A ela juntou-se alguém e ficaram a conversar. O rapaz, ainda sozinho, reparou que esse alguém era um amigo seu.

A noite dele estava cada vez pior. Decidiu então subtrair um pouco daquela solidão e somar uma noite de sono.

Passava em frente ao café, a caminho de casa, quando o seu amigo o viu e lhe disse para se adicionar ao grupo. Aceitou. Entretanto, o outro rapaz foi-se embora e os dois, ele e a rapariga só, ficaram a conversar.

Apaixonaram-se. A imagem de um estava somada no coração do outro. Subtraíram-se as solidões e tristezas e, mesmo com vidas difíceis, a presença de um aumentava a felicidade do outro, e subtraía a tristeza de ambos.

                                                                                                                                                                                                                                                                                      Henrique Ferreira, 8ºVB

 


                                              A soma da nossa amizade

 

Tempo curto como o vento a soprar, e eu aqui, minha querida Gertie, sentada neste cadeirão que a multiplicar pelos anos me lembra o nosso tempo juntas. Sentavas-te aqui a ler Jane Eyre, por um milésimo de segundo que fosse, aproveitavas a leitura, fazias dela uma vida, algo em que se acredite só de te ouvir.

A solidão é tão triste! Os segundos passaram a ser minutos, os minutos horas e por aí adiante.... Ainda tenho aqui os teus livros, os poemas que fazias para mim. Lembras-te das enormes festas que dávamos juntas quando o Sr. Ígor Stravinsky tocava aquelas belíssimas canções no piano da sala? O diâmetro de tanta loucura, de tanta paixão pela vida, é maior que o próprio sol… Os teus cabelos a ficarem já para o cinza como a cor de um elefante, uma imaginação e inteligência que era o triplo da de grandes senhores….      

Por incrível que pareça, estou a parcelar esculturas e livros. Eu sei com esta idade é um absurdo, mas nunca é tarde demais para gostar de algo. Ontem li uma frase que realçou os meus olhos: “ Até a diferença se pode juntar.” Pois é mesmo assim, minha querida Gertie, sabes o porquê? Um triângulo e um quadrado são completamente diferentes, mas mesmo assim juntam-se e fazem uma belíssima forma geométrica…. Era como nós no nosso tempo. Aquela amizade que sempre foi uma incógnita para os outros, mas estava bem claro como a água que era AMOR, um profundo amor entre seres humanos que ficaram juntos a vida inteira. Até ao dia de partires…       

Tenho aplicado tempo a coisas que fazias, tento descobrir o que têm de interessante e devo dizer-te: agrupar todos aqueles cantos de experiências foi o produto de tantos anos vividos sem arrependimento algum de nos juntarmos.

Tornamo-nos uma inspiradora história que espero que venha a ser contada pelas próximas gerações, a história de uma paixão entre duas melhores amigas - Joanne e Gertie.

                                                                                                 Ana Rita Lopes, 9º VC